Xu Ping atravessou para a dinastia Song, apenas para descobrir que este mundo, embora semelhante, era sutilmente distinto do Song de suas memórias. Não pôde evitar um sentimento de inquietação mistura
No segundo ano do reinado Tian Sheng, no quarto mês do verão, no dia Dingmao, Xu Ping sentava-se à sombra do grande salgueiro, à beira do campo de trigo, no extremo leste da propriedade de sua família. Recostava-se contra o tronco da árvore, olhando absorto para o pequeno rio ao sul, não muito distante. Sob seu corpo, repousava uma esteira de bambu; ao lado, um prato de frutas, com algumas compotas e frutos secos.
Xu Ping não sabia definir em que estado se encontrava. Em sua lembrança, era um modesto funcionário da estação de máquinas agrícolas de uma pequena cidade do interior; mas a realidade o situava na dinastia Song, onde ocupava o papel de um jovem dândi inútil, filho de uma família abastada, carregando ainda fragmentos dispersos da memória daquele outro eu.
As recordações daquele mundo eram tão vívidas, cada detalhe parecia claro e presente, tornando impossível distinguir qual deles era o verdadeiro, e qual, mera ilusão.
Talvez isto fosse uma travessia de alma incompleta, tão em voga naquele outro mundo.
Foram necessários cinco ou seis dias para que Xu Ping conseguisse apaziguar seu espírito e, resignado, aceitasse sua nova condição. Para sua surpresa, após aceitar o fato, um leve entusiasmo começou a despontar. Afinal, tinha algum conhecimento de história; se mantivesse os olhos atentos, talvez pudesse aproveitar alguma oportunidade, ascender repentinamente, eternizando seu nome nos anais do tempo, sem precisar mais viver com as agruras e resignações do outro mundo.
Seu primeiro objetivo era clarificar em que ano exatamente se encont