Aos 9 anos, Shen Linxiao era o tio que ela chamava de tio. Aos 19, ela era, aos olhos de Shen Linxiao, um animal de estimação. Para ele, ela era posse, obsessão e afeto. Para ela, ele era um pesadelo,
Às onze da noite, a neve e o vento castigavam as ruas da cidade de Xiang, no Reino de Feng; sob a escuridão, não havia vivalma.
Depois de descer do ônibus, Si Si correu sem parar até chegar ao Jardim Jing, temendo voltar tarde demais e acabar irritando aquela pessoa outra vez.
Mal atravessou o portão, sem tempo sequer de recuperar o fôlego, a governanta, tia Mo, aproximou-se para lhe lembrar:
— Si Si, apresse-se e suba. Seu tio Shen está à sua procura; diz que precisa falar com você. Não diga besteiras. Você sabe como ele é. Em tudo, faça o que ele mandar, ouviu?
Si Si assentiu e subiu de imediato, detendo-se nervosa à porta do quarto para se preparar mentalmente.
Tinha o pressentimento de que, ao abrir aquela porta, outra tempestade insuportável a aguardava.
Levantou a mão e bateu. De dentro, respondeu-lhe uma voz grave, familiar.
Ao empurrar a porta e entrar, viu Shen Linxiao sentado à mesa de trabalho, folheando documentos com a mesma ordem serena de uma divindade pintada em mural.
Livre da habitual roupa negra, naquele momento, com os óculos de aro dourado e a roupa de casa em tom bege, ele parecia extraordinariamente suave e elegante.
Shen Linxiao era, sem dúvida, o homem mais bonito que Si Si já vira.
Mas também era, neste mundo, o homem de quem Si Si mais tinha medo.
— Tio... — a voz de Si Si saiu com cautela, temendo interrompê-lo.
Shen Linxiao nem ergueu a cabeça; apenas lhe atirou, com indiferença, três palavras:
— Tranque a porta.
Si Si se sobressaltou e entrou em pânico, mas a