Xu Yi tinha uma amiguinha de infância, com um sorriso doce e uma voz manhosa, uma pequena travessa que adorava aprontar por todos os lados. Quando ela chorava, ele quase queria dar a própria vida par
Ruan Cinjing morreu em um acidente de carro.
Agora, o marido dela, Wen Ci, assinava, do lado de fora da sala de emergência, o termo de consentimento para a doação de órgãos.
O carimbo vermelho, como sangue seco, desenhava nas digitais os anéis de crescimento de uma árvore, um círculo após outro, estampando-se no papel alvíssimo.
Só então ela entendeu: o que Wen Ci a obrigara a assinar na noite anterior não era um acordo de divórcio, mas um termo de doação de órgãos.
O coração dela estava prestes a ser transplantado para o peito de uma mulher chamada Wen Wan.
A alma de Ruan Cinjing seguiu Wen Ci até o quarto de Wen Wan.
A mulher na cama tinha o rosto pálido; o pequeno rosto, do tamanho de uma palma, era limpo e alvíssimo. As sobrancelhas de salgueiro estavam levemente franzidas, e havia lágrimas cintilantes em seus olhos.
— Irmão, estou com medo.
Wen Ci a acolheu nos braços, acariciando-lhe as costas com suavidade, e a consolou em voz baixa:
— Não tenha medo, Wanwan. Quando você melhorar, nós nos casaremos.
Casaremos.
Ruan Cinjing encarou, sem acreditar, as duas figuras apertadas num abraço, sentindo apenas náusea.
Wen Wan era a criança adotada pela família de Wen Ci; os dois cresceram juntos desde pequenos, e os irmãos tinham um vínculo extremamente forte.
Infelizmente, Wen Wan sofria de uma grave doença cardíaca e só um transplante poderia prolongar sua vida.
Ao longo de todos aqueles anos, Wen Ci esteve sempre ajudando-a a encontrar uma compatibilidade adequada.
Toda vez que Wen W