Aprendi a eliminar deuses em um hospital psiquiátrico

Aprendi a eliminar deuses em um hospital psiquiátrico

Autor: Três Nove Tons
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Já pensaste alguma vez que, sob o brilho fulgurante das luzes da cidade, se ocultam monstros vindos de mitos antigos? Já imaginaste que, sobre a lua suspensa no alto sobre as cabeças dos mortais, repo

Capítulo 1: Olhos Envoltos em Cetim Negro

Agosto ardente.

Bzz, bzz, bzz—!

O estridente canto das cigarras misturava-se ao soar intermitente das buzinas, ecoando pelas ruas abarrotadas de gente. O sol abrasador queimava o asfalto cinzento, liberando ondas de calor que faziam a rua inteira parecer distorcida.

Sob as poucas sombras das árvores à beira da calçada, alguns jovens reuniam-se, fumando e esperando o semáforo.

De repente, um deles, exalando fumaça, pareceu notar algo, soltou um murmúrio curioso e fixou o olhar em um ponto na esquina.

— Arnaldo, o que você está olhando? — perguntou o amigo ao seu lado.

Arnaldo ficou olhando, atônito, para a esquina, demorando para responder:

— Me diga… como será que um cego atravessa a rua?

O amigo hesitou, pensativo, e respondeu devagar:

— Normalmente, um cego sai acompanhado ou com um cão-guia. Se for numa cidade moderna, tem sinal sonoro nos semáforos. Se nada disso, talvez consiga atravessar devagar, guiando-se pelo som e pela bengala.

Arnaldo balançou a cabeça:

— E se não tem acompanhante, nem cão-guia, nem sinal sonoro, e até a bengala está sendo usada para carregar óleo de amendoim?

— ...Você se acha engraçado?

O amigo revirou os olhos, seguindo o olhar de Arnaldo, e logo ficou completamente imóvel.

Na esquina oposta da rua, um adolescente de camiseta preta estava parado. Seus olhos estavam envoltos por várias voltas de uma faixa de tecido preta, bloqueando toda a luz.

Na mão esquerda, carregava uma sacola de compras cheia de verduras; na direita, segurava uma bengala para cego

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