No continente dos Nove Estados, a era do caos já havia chegado. Demônios e criaturas mágicas semeavam a desordem, enquanto oficiais corruptos e gananciosos dominavam impiedosamente. Havia monstros bud
O inverno já havia chegado, o vento norte uivava e a neve caía densamente. O mundo estava envolto em um branco desolador; não se viam aves nem animais. Meng Yuan apoiava-se em um bastão de madeira, já não sabia dizer há quantos dias estava fugindo da fome, apenas lembrava que muitos dos que caminhavam ao seu lado haviam tombado silenciosamente à beira da estrada.
O som de seus passos afundando na neve, rangendo, misturava-se ao silêncio do deserto branco. Após andar por tempo incerto, avistou ao longe, à beira do caminho, um pequeno pátio murado: era uma estação de correio abandonada. Aproximou-se do portão, pronto para vasculhar o local, quando um homem de rosto marcado por uma cicatriz saltou de dentro, os olhos brilhando de cobiça ao mirar algo atrás de Meng Yuan.
A fome evidente em seu olhar denunciava que já provara carne humana. Atrás de Meng Yuan vinha um avô com sua neta, dois que haviam se juntado a ele dias antes, mas com quem jamais trocara palavra ou sequer sabia o nome. Em meio à fome extrema, as pessoas evitavam até conversar; mal lhes restava força para pensar.
— Amigo, não é nada contigo, só queremos a criança — disse o homem de cicatriz, lambendo os lábios, encarando Meng Yuan.
Carne de criança era tenra, cozinhava rápido, não gastava lenha.
— Amigo, a fome está demais! Não dá mais pra aguentar! — da sombra de uma árvore próxima, outro homem surgiu empunhando um bastão, formando uma armadilha.
Os dois agiam claramente de comum acordo, mas, pelo aspecto, estavam ambos no limite da fome.
— Me deixem uma parte — ped